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Formas de Transmissão


Existem diversas formas de transmissão de doenças encontradas na natureza e estas variam dependendo da infecção. Para desenvolver um modelo matemático em epidemiologia, deve-se conhecer a biologia da propagação de doença para, então, empregar métodos de quantificação dos aspectos essenciais da dinâmica da transmissão do agente infeccioso. Em relação à biologia da transmissão de epidemias, a análise dos conhecimentos biológicos permite a escolha dos fatores essenciais (levando em consideração o que se deseja elucidar) da dinâmica da transmissão que fazem do modelo adequado como ferramenta auxiliar no combate a epidemias.

Definição
Entende-se por transmissão como a transferência de um agente etiológico de um reservatório ou fonte de infecção para um novo hospedeiro suscetível. Existem diferentes tipos de transmissao, sendo classificadas em vertical, horizontal, ou ambos, sendo a horizontal subdividida em vias (contato direto ou indireto).

Transmissão Vertical
Também conhecida como materno-infantil, é a transmissão de uma geração para seus descendentes, podendo ser passadas quando ainda no período de gestação, no nascimento e/ou mesmo nos primeiros anos de vida através do leite materno. Doenças como a Hepatite B e C, sífilis e AIDS possuem esse tipo de transmissão.

Tratando especificamente do HIV, essa forma de transmissão é a principal via de infecção em crianças, sendo responsável, no Brasil, por mais de 80% do total de casos em menores de 13 anos (1983-99); e por mais de 90%, se considerarmos apenas o período de 1998 a agosto de 1999. Os casos de transmissão vertical correspondem a 2,7% do total geral de casos notificados até agosto de 1999.
Modelos como o próprio SIR, ou o SEIR, uma elaboração do SIR que incorpora um compartimento de infectados latentes (que ainda não se encontram infecciosos) podem e já foram usados para simular adequadamente doenças que possuem transmissão vertical.

OBS: Existem modelos que se baseiam na transmissão vertical menos epidemiológicos mas não menos interessantes. O crescimento acelerado em uma população de células divididas entre cancerígenas e normais podem ser analisados através de modelos de transmissão vertical. Para doenças genéticas dentro de uma população, existem modelos que se utilizam da Equação do Replicador, que compartimenta as populações por suas cargas genômicas.

Transmissão Horizontal
É a transferência de um patógeno de um indivíduo infectado para outro indivíduo sadio, independente do relacionamento de parentesco desses indivíduos. Pode ocorrer por contato direto ou indireto.

Contato direto: O agente etiológico pode ser transferido por contato direto através de ações como lamber, esfregar, morder, e o coito, como por exemplo a Sífilis e o virus da Peste Suína Clássica (PSC). A transmissão pelo o ar também é considerada outra forma de transmissão direta horizontal, pois agentes patogênicos difusos no ar geralmente não sobrevivem por longos períodos nas partículas, e portanto, a proximidade de infectados e susceptíveis é necessária para a transmissão. Exemplos clássicos de doenças que utilizam a transmissão por via aérea são a Influenza Aviária e a Tuberculose.

A necessidade do contato (direto ou indireto) entre o infectado e o suscetível faz com que modelos que assumam a população homogeneamente distribuída no espaço ou com igual probabilidade de encontro entre si acabem se tornando muito simplistas. Modelos que se utilizem de distribuições espaciais tendem a ser inadequados em ambientes urbanos em função da complexidade da movimentação dentro dele: os ideais são aqueles que possuam alguma forma de contact-tracing, de forma a manter um rede de contatos mais semelhante com a de um integrante de uma cidade.

Contato indireto: O contato indireto via vetores ou fômitos também permite a transmissão de agentes de doença. A transmissão por vetor ocorre quando uma criatura viva, devido ao seu relacionamento ecológico com outros, adquire um patógeno de um hospedeiro vivo e transmite-o para outros, como a Malária e a Doença de Chagas. Fômitos são objetos inanimados que podem carrear agentes infecciosos de um animal para outro, tais como agulhas usadas, tosqueador sujo, vestuário ou objetos contaminados, alimentos e fontes de água contaminados, como a Cólera e a Hepatite A.

Na maioria dos modelos de transmissão vetorial eficientes, é acoplada também a população de vetores ao sistema através de equações que simulem sua dinâmica de interação entre si e entre os hospedeiros. Muitos modelos desse tipo existem, como o de Ross (SIS para os humanos e um SI para os mosquitos), o de Anderson (SEIS para humanos e SEI para mosquitos) e o de MacDonald (SIS para humanos e SEI para mosquitos), todos diferentes na modelagem porém que visam se adaptar à mesma doença: malária.

As transmissões por fômito, como por exemplo os reservatórios de água contaminada numa doença como a Cólera, podem ser melhor modeladas levando em consideração a relação entre os focos de contaminação e as relações entre eles e seus habitantes e transeuntes. Nem sempre as distâncias físicas devem ser utilizadas como parâmetro para a distribuição espacial: de três cidades equidistantes, por exemplo, numa epidemia de cólera, duas podem se tornar mais "próximas" caso compartilhem uma fonte d´água.

Fontes e Leitura

GLOBAL DYNAMICS OF AN SEIR EPIDEMIC MODEL WITH VERTICAL TRANSMISSION

CONTACT TRACING AND DISEASE CONTROL

THE EFFECTIVENESS OF CONTACT TRACING IN EMERGING EPIDEMICS


EPIDEMIOLOGICAL SPACES: THE USE OF MULTIDIMENSIONAL SCALING TO IDENTIFY CHOLERA DIFFUSION IN WAKE OF THE PHILIPPINES INSURRECTION, 1899-1902

MATHEMATICAL MODELS OF VECTOR-BORNE DISEASES